Adjudicação de imóvel: entenda o que é e como usar esse mecanismo jurídico

Adjudicação de imóvel: entenda o que é e como usar esse mecanismo jurídico

No universo dos negócios imobiliários, alguns mecanismos jurídicos surgem como aliados poderosos diante de obstáculos no registro de propriedades. Um deles é a adjudicação de imóvel, ferramenta prevista em lei para situações em que o comprador não consegue obter a escritura definitiva, mesmo tendo cumprido todas as obrigações do contrato. 

O entendimento desse instrumento faz toda diferença para quem busca garantir a segurança da posse e o reconhecimento formal da propriedade. O processo pode parecer complexo à primeira vista, sobretudo quando envolve questões judiciais e extrajudiciais. 

Por isso, conhecer suas regras, tipos e requisitos deve ser prioridade para quem se depara com entraves na transferência de imóveis.

Descubra, a seguir, como essa solução pode transformar uma expectativa frustrada em vitória jurídica e patrimonial!

O que significa adjudicação de imóvel?

A adjudicação no contexto imobiliário corresponde ao reconhecimento forçado da transferência de propriedade a favor de quem demonstrou direito legítimo, normalmente por meio de pagamento integral e cumprimento de contratos. 

Segundo o Código de Processo Civil, é possível recorrer a esse mecanismo quando o vendedor se recusa, ou está impossibilitado, de assinar a escritura, mesmo após o comprador atender a todas as condições previstas.

Esse tipo de solução, chamada de adjudicação compulsória, afasta o risco da expectativa frustrada de muitos compradores, trazendo amparo à realização do negócio.

Quando solicitar a adjudicação compulsória?

Os cenários mais comuns envolvem contratos particulares de compra e venda, nos quais o vendedor desaparece, falece sem deixar herdeiros, ou simplesmente não cumpre voluntariamente sua obrigação de transferir a escritura. 

Nesses casos, se não há cláusulas impeditivas e o comprador já pagou integralmente pelo imóvel, pode buscar o reconhecimento judicial da transação. Exemplos práticos incluem:

  • Vendas financiadas, com quitação total do valor e recusa do vendedor em escriturar.
  • Empreendimentos em que a incorporadora encerra atividades sem oficializar registros.
  • Compras com promessa de cessão, mas paralisação do vendedor antes do registro definitivo.

É necessário comprovar, por meio de documentos, que todas as obrigações do contrato foram cumpridas. Entre eles, recibos de pagamento, contratos assinados, provas de quitação de impostos e taxas, e correspondências relativas à negociação.

Adjudicação judicial e extrajudicial: entenda as diferenças

Tradicionalmente, a adjudicação era obtida apenas judicialmente. Com a Lei n° 13.105/2015, passou-se a aceitar também a via extrajudicial, realizada em cartórios de notas e registros, desde que não haja litígio entre as partes.

Judicial

No processo judicial, é ajuizada uma ação de adjudicação compulsória demonstrando o direito à transferência. O juiz, após analisar provas e ouvir as partes, pode determinar a lavratura da escritura, mesmo sem assinatura do vendedor, caso fique comprovado o descumprimento contratual.

Extrajudicial

Na via extrajudicial, basta apresentar a documentação exigida ao cartório competente. A ausência de conflito ou dúvida sobre o direito favorece a rapidez do procedimento, que pode ser finalizado em poucas semanas, caso todos os requisitos estejam em ordem.

Principais requisitos legais e documentação

Para iniciar o pedido, tanto judicial quanto extrajudicial, é importante reunir provas incontestáveis do direito ao imóvel. Entre os documentos mais solicitados estão:

  • Contrato de compra e venda original, com todas as assinaturas reconhecidas.
  • Recibos de pagamento ou comprovantes de transferência bancária.
  • Certidões de matrícula e de propriedade atualizadas (saiba mais sobre matrícula aqui).
  • Comprovante de quitação de tributos, como ITBI (entenda mais detalhes).
  • Demais documentos pessoais e certidões negativas dos interessados.

Além disso, há vínculo entre esse processo e outros mecanismos, como averbação de imóvel, registro em cartório (aqui estão as funções do cartório) e regularização documental (lista de documentos essenciais).

Quais os benefícios e riscos desse caminho?

A busca pela propriedade via adjudicação resolve impasses antes considerados insolúveis, especialmente após experiências frustrantes quanto ao recebimento da escritura. As vantagens mais citadas por especialistas incluem:

  • Reconhecimento do direito de propriedade mesmo sem a assinatura do vendedor.
  • Possibilidade de registro e transferência definitiva no cartório de imóveis.
  • Respeito ao princípio do cumprimento dos contratos, valorizando a boa-fé do comprador.

Em contrapartida, os desafios residem no tempo processual, custos advocatícios e detalhamento documental. No meio judicial, a morosidade pode frustrar expectativas. Já na via extrajudicial, qualquer irregularidade ou conflito impede o prosseguimento e força o interessado a retornar ao Judiciário.

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Pessoas que acompanham seus contratos de perto e buscam sempre regularizar documentação, inclusive observando o habite-se, têm menos chance de imprevistos nesse processo. Além disso, há diferença notável entre registro e escritura, explicada neste conteúdo complementar.

Dicas para evitar problemas e garantir êxito

Apesar de ser um mecanismo robusto, a adjudicação não substitui o zelo preventivo. Quem pretende comprar ou vender imóveis deve priorizar contratos claros, reconhecer assinaturas em cartório e solicitar sempre documentos de comprovação da titularidade.

  • Fique atento ao histórico do imóvel e do vendedor.
  • Analise cláusulas, prazos e condições com suporte de um especialista.
  • Guarde toda e qualquer comunicação relevante à transação.
  • Regularize o quanto antes pagamentos de impostos e taxas.

O acompanhamento de cada etapa e a busca por assessoria qualificada reduzem muito as chances de surpresas desagradáveis.

Quando a adjudicação se mostra o único caminho?

Há situações em que, apesar de todos os esforços, o vendedor desaparece ou nega-se de modo definitivo a cumprir a obrigação. 

Nesses casos, depois do esgotamento de tentativas amigáveis e outros métodos administrativos, resta ao interessado buscar a via da adjudicação compulsória para não perder o direito ao bem adquirido.

A adjudicação de imóvel então representa a alternativa para não deixar o comprador desamparado após o cumprimento de suas obrigações contratuais.

Desafios mais comuns e como se prevenir

Os principais obstáculos identificados por especialistas incluem dificuldade em localizar o vendedor, contratos mal redigidos, pagamentos sem comprovação formal e imóveis com situação registral irregular. 

Também é comum pequenas pendências de taxas ou impostos impedirem a adjudicação extrajudicial. Para se precaver, recomenda-se guardar recibos, conferir regularmente a situação da matrícula, manter contato periódico com o vendedor e acionar advogados sempre que notar inconsistências. 

O conhecimento de conceitos como averbação, habite-se, matrícula e a diferença entre registro e escritura são aliados nesse processo. Todo cuidado no início reduz riscos ao final. Agir preventivamente é sempre mais simples e econômico do que buscar soluções após o surgimento do conflito.

Por tudo isso, saber como funciona a adjudicação de imóvel é um trunfo para quem se vê diante de impasses no registro definitivo. Seja pela via judicial ou extrajudicial, o procedimento existe para assegurar o direito do comprador e garantir a transferência da propriedade, mesmo sem a cooperação do vendedor. 

Documentação organizada e apoio especializado fazem toda a diferença para acelerar resultados e evitar traumas.

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Perguntas frequentes sobre adjudicação de imóvel

O que é adjudicação de imóvel?

Adjudicação de imóvel é o procedimento utilizado para transferir a propriedade de um imóvel ao comprador, mesmo sem a participação do vendedor, desde que este tenha cumprido todas as obrigações do contrato e o vendedor se negue a outorgar a escritura.

Como funciona a adjudicação de imóveis?

O interessado reúne provas do seu direito, como contrato, recibos e certidões, e solicita a transferência por meio de ação judicial ou, quando possível, diretamente em cartório (extrajudicial), a depender da existência ou não de litígio entre as partes.

Quem pode solicitar a adjudicação de imóvel?

Qualquer comprador que tenha quitado integralmente o preço do imóvel e se depare com resistência injustificada da outra parte em concluir a transferência pode propor o pedido de adjudicação.

Quais documentos são necessários para adjudicar?

É necessário apresentar o contrato de compra e venda, comprovantes de pagamento, certidões da matrícula do imóvel, quitação de tributos e documentos pessoais. Cada caso pode exigir outros documentos, dependendo do histórico do imóvel e das partes.

Quanto custa o processo de adjudicação?

Os custos variam conforme o tipo de procedimento (judicial ou extrajudicial), honorários de advogados e taxas cartorárias. Outras despesas podem envolver certidões, regularizações e possíveis pendências tributárias, sendo recomendado sempre obter um orçamento prévio com os profissionais envolvidos.

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